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Regresso às aulas. Os pais já choram mais do que os filhos

quarta-feira 15 de Setembro de 2010, por Nanny Obame

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Afonso esconde-se atrás da mãe. Chega "um bocadinho nervoso" para o primeiro dia de aulas do 1.o ciclo. Vem acompanhado pela mãe e pelo irmão Gonçalo, que regressa ao jardim-de-infância depois das férias. Lágrimas, sorrisos e abraços marcam o reencontro de uns e a primeira vez de outros na escola EB 1 Santo António, em Lisboa.


"Ele não vai chorar, mas eu certamente vou", conta a mãe dos dois irmãos, Sara Cajus. Comovida com a estreia do filho mais velho, a arquitecta de 34 anos, mãe de quatro filhos, recorda ao i o primeiro dia de aulas. "Foi muito emocionante, lembro-me da minha mochila vermelha, mas não sabia nem metade do que ele sabe hoje. Em cima da mesa havia um papel com o meu nome e eu tinha de tentar memorizar a imagem, porque não percebia nada das letras."


O início da recepção aos pais e alunos estava marcado para as 9h00, mas antes das 8h30 a entrada da escola já tinha sido inundada por crianças e famílias. O porteiro organizava as entradas e sempre que surgia uma "cara desconhecida" perguntava: "Tu és novo?" E seguia-se uma breve apresentação.


Diogo, de cinco anos, e Eduardo, de seis, correm para se abraçarem. Os dois amigos não se largaram a manhã inteira. "Conhecem-se do jardim-de-infância", explica a mãe, Paula Couto. Começam as brincadeiras no átrio principal, sob o olhar atento dos pais.


A alegria dos que voltavam a ver os colegas contrasta com o desespero de quem se sente à parte. É o caso da Madalena, de seis anos, que é nova na escola. Enquanto os miúdos se dividiam entre as actividades organizadas pelo agrupamento, os pais estavam reunidos com a professora responsável pela turma. O programa é muito ligeiro. "Amanhã [hoje] é que começa a sério", contava uma das educadoras. A biblioteca é o primeiro ponto de paragem. Os miúdos começam a deixar escapar os primeiros bocejos e segue-se a segunda proposta: desenhar e ilustrar um painel, com tintas de várias cores, que hoje servirá para dar as boas—vindas aos colegas dos anos seguintes. Dinossauros, vulcões, plantas e flores fazem parte do cenário.


Madalena participa na pintura, mas acaba por desistir. Nenhuma das palavras das educadoras foi suficiente para deter as lágrimas da nova aluna, que chorava pela ausência da mãe. O choro da Madalena teve uma folga, momentânea, quando alguém gritou: "Hora do lanche."


Todos os miúdos, das três turmas do primeiro ano e que estavam aparentemente compenetrados nos jogos lúdicos, param imediatamente o que estavam a fazer e correm, entre empurrões, para as mesas do lanche. "Tu não podes beber mais um", grita um dos miúdos para um colega que tirava o segundo pacote de leite achocolatado. Os ânimos intensificam-se com a partilha do lanche, mas um bolo de chocolate oferecido por um novato aniversariante ajudou a recuperar a calma.


Os pais que estavam na reunião chegaram. Alguns nem deram por isso, mas Madalena corre para os braços da mãe. A sensação de alívio da filha deixa Alexandra Almeida surpreendida. "Estou a estranhar esta atitude. A Madalena é muito sociável e adaptou-se muito bem ao jardim-de-infância." Apesar de um início atribulado, a jurista compreende que a mudança de escola possa ter deixado a filha receosa. Mas acredita que Madalena se vai adaptar rapidamente. Questionada sobre o seu primeiro dia, Alexandra responde subitamente: "Foi óptimo!" Recorda os momentos de ansiedade antecedentes, que, no entanto, duraram pouco. "Mal cheguei, disse logo à minha mãe para se ir embora. Adorei o primeiro dia, apesar de naquela altura ser tudo muito diferente." A jurista sublinha o carácter mais rigoroso do ensino naquela época, mas assegura que agora "é melhor".


Quem também não esquece a dureza do ensino na "época da ditadura" é Jorge Carreira. O pai de Beatriz conta que alguns miúdos choravam, mas não adiantava de nada. "Os pais iam-se logo embora e até éramos obrigados a cantar o hino nacional." Jorge e Teresa Carreira não hesitaram em acompanhar a filha Beatriz no primeiro dia. Sobre a escola, confessam que procuraram algumas informações e também sondaram de perto o ambiente. Não deixam escapar os movimentos de Beatriz, mas conhecem os limites: "Para já não nos vamos intrometer. As perguntas são só para depois de chegarmos a casa", diz Jorge.


No final da manhã, a maioria dos pais regressava ao trabalho. Alguns dos encarregados de educação mostravam-se apreensivos sobre a maturidade das crianças de seis anos, perante um programa curricular intensivo. Mas a coordenadora da escola, Conceição Henriques, assegurava que os alunos têm uma atitude normal para a idade. "Eles sabem que vêm para a escola para aprender e a vontade que têm em saber ler e escrever faz com que venham cheios de vontade para a sala de aula."


Por Cláudia Garcia

Fonte : www.ionline.pt

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