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Filosofia Budista e a Física

sexta-feira 27 de Março de 2015, por Buddhachannel Portugal

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Confrontação

No final do século dezenove, o princípio científico da conservação da massa e energia, implicou que era impossível para quaisquer processos não físicos manifestar quaisquer influências no mundo físico: somente entidades físicas poderiam influenciar outras entidades físicas. Isto, junto com a formulação da teoria da evolução, no século dezenove, resultou em uma visão materialista dos humanos, como sendo nada mais do que robôs programados biologicamente, cujo comportamento é inteiramente determinado por causas físicas. Esta visão é fundamentalmente incompatível com as visões Budistas da causalidade, do Karma, e da geração dependente.

Entretanto, tal materialismo mecanicista esteve em declínio, desde que a física do final do século dezenove e do século vinte, questionou a absoluta conservação da massa e energia. Isto é evidente no princípio da incerteza da energia-tempo de Heisenberg, que permite pequenas violações da conservação da energia. Ao nível quântico, atividades causais desconhecidas podem ser colocadas sem violar o princípio da conservação se, por qualquer sistema de medição,
1) não se especificar as condições completas, exatas e iniciais do sistema a ser medido; e

2)se permitir influências não locais. O princípio da incerteza de Heisenberg, junto com a impossibilidade física de isolar absolutamente qualquer sistema finito de medição, torna-o impossível de determinar as condições completas iniciais de qualquer sistema; e há agora fortes bases empíricas para afirmar a realidade das interações não locais.

Muitos físicos acreditam que ao nível quântico, os efeitos ocorrem sem quaisquer causas antecedentes. Esta visão é incompatível com a visão Budista de que todos os efeitos surgem em dependência a causas anteriores. Entretanto, os únicos tipos de causas que os físicos podem medir, são físicas; assim quando eles declaram que os efeitos físicos podem ocorrer sem causas físicas anteriores, isto deixa aberta a possibilidade de que influências não físicas estão operando. Conseqüentemente, é possível, em princípio, que uma mente não física influencie a matéria. Se tais efeitos quânticos não locais, não físicos, ocorrem nas interações mente-matéria, permanece uma questão aberta, mas não é científico assumir sem questionar que eles não existam.



O realismo metafísico da física clássica, que era inicialmente baseada na crença bíblica de um Deus que criou um mundo objetivo absolutamente existente, continua a dominar as ciências da vida e as ciências da mente. De acordo com o realismo metafísico,
1) o mundo consiste de objetos independentes da mente;
2) há exatamente uma descrição verdadeira e completa do modo que o mundo é; e
3) a verdade envolve algum tipo de correspondência entre um mundo existente independentemente e uma descrição dele. Embora esta visão seja compatível com as visões do Vaibhasika e o Sautrantika, é incompatível com as visões do Cittamatra e Madhyamaka do Budismo.

Um problema fundamental do realismo metafísico é que ele assume que entidades físicas invisíveis no mundo objetivo, existentes independentemente de qualquer sistema de medição, podem ser inferidas com base em seus efeitos medidos. Mas de acordo com a epistemologia Budista, é impossível inferir uma causa específica com base em um efeito, em casos onde a própria causa e a sua produção do efeito não são detectados. Por exemplo, se o fogo nunca pudesse ser percebido, nunca poderia se inferir que a fumaça deve ser causada pelo fogo, ou que o fogo deve sempre preceder o aparecimento da fumaça.

De acordo com o realismo metafísico, todo o universo objetivo consiste de causas que produzem os efeitos que são medidos pelos seres humanos, além dos conteúdos do mundo objetivo, pois eles existem independentemente de todas as medidas que são invisíveis. Portanto, não se pode nunca inferir os conteúdos do mundo absolutamente objetivo, que são invisíveis, com base em medições percebidas. Assim a crença no realismo metafísico, que forma a base de grande parte da física moderna, da biologia, e das ciências da mente, é incompatível com um princípio central da epistemologia Budista. E a crença de que toda a realidade consiste somente de entidades físicas e de suas propriedades e funções emergentes, é incompatível com o Budismo como um todo.

Colaboração

É amplamente aceito tanto entre os cientistas cognitivos, quanto os físicos que as aparências com os nossos sentidos físicos - tais como cores, sons, odores e sensações táteis - não existem inerente e objetivamente em objetos externos, no espaço entre aqueles objetos e os nossos órgãos dos sentidos, ou dentro dos próprios órgãos dos sentidos. Alguns físicos concluíram que tal interdependência se confirma para todo o conhecimento científico: o pesquisador subjetivo e o campo objetivo de pesquisa, estão sempre relacionados e existem somente referentes um com o outro. Especialmente com base nas descobertas na física quântica, alguns cientistas principais concluíram que a física não diz nada sobre o mundo, pois ele existe independentemente de nossos métodos de investigação.

O famoso físico experimental Anton Zeilinger, por exemplo, comentou: "Pode-se ser tentado a assumir que sempre que fazemos perguntas sobre a natureza, do mundo lá fora, há a realidade que existe independentemente do que possa ser dito sobre ela. Nós reivindicaremos agora que tal posição é vazia de qualquer significado." Todas as configurações de massa e de energia, enquanto medidas pelos humanos, são vazias de qualquer existência objetiva, independente dos sistemas pelos quais elas possam ser medidas; e as categorias de massa, energia, partículas e campos, são vazias de existência objetiva, independentemente das mentes que as concebem.

Sob este aspecto, os objetos medidos, o sistema de medição, e o participante-observador que projeta e usa o sistema de medição, são todos mutuamente interdependentes. Isto sugere que não somente a nossa experiência comum, mas todas as observações científicas do mundo físico, são ilusórias, no sentido de que o mundo objetivo parece ser inerentemente existente, independente de todos os modos de observação e de conceitualização, considerando que ele realmente existe somente relativo aos nossos métodos de observação e modos de fazer conceitualmente a percepção da experiência.



De acordo com a física clássica, o espaço, o tempo, a matéria e a energia são concebidos como existentes absolutamente no mundo objetivo. Um número crescente de físicos modernos, incluindo o eminente físico teórico John Archibald Wheeler, reconheceu que as definições científicas de cada uma destas entidades, são criações da mente humana, não descobertos no mundo da natureza pré-existente e objetivo. Wheeler reivindicou que o universo consiste de um "estranho laço", no qual a física ocasiona observadores e os observadores ocasionam a física.

De acordo com a sua visão, a visão convencional do relacionamento entre os observadores e o mundo objetivo, é que a matéria produz a informação e a informação a torna possível para que os observadores estejam conscientes da matéria, por meio da informação, produzida pelas medições. Wheeler, ao contrário, propõe que a presença de observadores possibilita que surja a informação, pois não há informação sem que lá esteja alguém que seja informado; e que a matéria é uma categoria construída da informação.

Colocado sucintamente, a visão tradicional é: matéria > informação > observadores, e Wheeler inverte esta seqüência: observadores > informação > matéria. Esta interdependência entre sujeitos e objetos, é um tema central na filosofia do Caminho do Meio (Madhyamaka), apesar das grandes diferenças nas metodologias dos físicos e dos Budistas. Tais paralelos sugerem que a colaboração teórica significativa poderia ocorrer entre os físicos e os filósofos Budistas e os contemplativos, e de fato, tal colaboração já começou."

Alguns físicos têm aproveitado os princípios da física quântica e os aplicado ao universo como um todo, criando o campo da cosmologia quântica. De acordo com esta descrição matemática do cosmos, o observador-participante desempenha um papel fundamental na criação e na evolução do universo. Sem tal observador- participante, o tempo é dito como "congelado", implicando que o universo não muda ou evolui sem o papel interventor do observador. O passado - incluindo os 13.7 bilhões de anos desde o big bang - não existe, independentemente do observador, e o mesmo é verdadeiro quanto ao presente e o futuro. O universo evolui somente quando um observador-participante, o divide em duas partes: um observador subjetivo e o resto do universo objetivo, e a descrição matemática do resto do universo objetivo dependem do tempo medido pelo observador. Resumindo, a evolução do universo e tudo nele, incluindo a própria vida, é possível somente relativo a um observador-participante.

Isto implica que o próprio tempo não tem nenhuma realidade própria inerente. John Wheeler escreveu sob este aspecto: "É errado pensar neste passado como "já existente", com todos os detalhes. O "passado" é teoria. O passado não tem existência, exceto quando ele é registrado no presente. Ao decidirmos quais questões o nosso equipamento quântico de registros colocará no presente, nós temos uma escolha incontestável no que temos o direito de dizer sobre o passado." Stephen W. Hawking, do mesmo modo, declara que cada possível versão de um simples universo, existe simultaneamente em um estado de superposição quântica. Quando vocês escolhem fazer uma medição, vocês selecionam deste âmbito de possibilidades, um subconjunto de histórias que compartilham as características específicas medidas. A história do universo, como vocês concebem, é derivado deste subconjunto de histórias. Em outras palavras, vocês escolhem o seu passado.

De acordo com a cosmologia contemporânea, o espaço vazio através do universo, tem muito menos simetria agora do que o original, o vácuo da elevada temperatura, logo após o big bang, como o gelo, é muito menos simétrico do que a água líquida. Os físicos acreditam que quando o universo se acalmou, transicionando do estado de "vácuo fundido", para o atual "vácuo congelado", a simetria inicial foi rompida de vários modos. O físico ganhador do Prêmio Nobel, Steven Weinberg, declara sob este aspecto, que a visão do mundo que vemos ao nosso redor é "somente um reflexo imperfeito de uma realidade mais intensa e mais bela."

A metáfora do universo mudando de um estado "fundido" para um "congelado", encontra um notável pararelo nos ensinamentos da tradição do Budismo Tibetano de Dzogchen (Grande Perfeição). No século dezenove, o mestre de Dzogchen, Düdjom Lingpa, por exemplo, escreveu: "Esta terra está presente no fluxo das mentes de todos os seres sensíveis, mas está firmemente constringida por compreensões dualísticas; e ela é considerada como material, firme e sólida. Esta é como a água em seu estado natural, fluido, congelando em um vento frio. Deve-se à compreensão dualística dos sujeitos e objetos que a terra, que é naturalmente livre, se torna congelada na aparência das coisas."

Do mesmo modo, H. H., o Dalai Lama comentou recentemente no contexto da visão de Dzogchen: "Qualquer estado da consciência é permeado pela luz pura da consciência primordial.Por mais gelo sólido que ela possa ser, nunca perde a sua verdadeira natureza que é água. Do mesmo modo, até conceitos muito óbvios são tais, que o seu "espaço", o seu espaço final latente, não acontece fora da extensão da consciência primordial. Eles surgem da expansão da consciência primordial e é onde eles se dissolvem. Alguns outros temas similares entre a escola de Dzogchen e a cosmologia quântica sugerem que esta, também, pode ser uma área fértil para a pesquisa colaborativa.

Uma diferença principal entre as teorias acima dos físicos famosos e teorias Budistas semelhantes, é que o Budismo apresenta métodos de meditação para colocar as suas teorias ao teste da experiência. Os insights obtidos através de tal investigação contemplativa, liberam as mentes daqueles que se aperfeiçoam nestas práticas avançadas, e tais compreensões transformam profundamente o corpo também. Estas são reivindicações extraordinárias do lado Budista, e a colaboração com os cientistas na exploração destas práticas e de suas teorias relacionadas, poderia ser de grande benefício para a humanidade.

Fonte : luz de gaia
B. Alan Wallace
Apresentado na:
Conferência Internacional do "Budismo e da Ciência"
Instituto Central de Estudos Superiores Tibetanos, Sarnath, Varanasi




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