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Thangka ou o budismo tibetano em telas

sexta-feira 29 de Agosto de 2014, por Buddhachannel Portugal

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Sobressaem as cores e o detalhe na pequena galeria que acolhe a exposição de pinturas thangka, técnica desenvolvida no Tibete. O Instituto Politécnico de Macau expõe os arranjos barrocos de uma arte milenar assente na história do budismo.

Hélder Beja

Esperava-se que o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong U, estivesse presente na abertura da exposição de pintura thangka, ontem no Instituto Politécnico de Macau (IPM). O governante faltou à chamada mas não faltaram os muitos convidados que receberam o mestre tibetano Niang Ben, radicado em Qinghai, província recentemente afectada por um sismo que matou mais de 2000 pessoas.



Quis o acaso que o dia fosse de luto nacional e cumpriu-se um minuto de silêncio em memória das vítimas de Yushu, nesta apresentação da arte milenar tibetana, inspirada no budismo. Na inauguração da mostra organizada pela Associação Comercial Internacional da ASEAN de Macau, Niang Ben, que apenas domina o mandarim, falou ao PONTO FINAL com ajuda de uma tradutora, e explicou o que torna especiais as telas coloridas que podem ver-se por estes dias no IPM. “Esta arte é diferente das outras porque basicamente temos cinco cores mas, através de toda as misturas que fazemos, conseguimos mais de 100 tonalidades.”

As cores, gravadas sobre tela de algodão, são conseguidas à base de água, pigmentos orgânicos e minerais fixados com goma. Niang Ben, que tem em Qinghai vários discípulos a aprender consigo a arte minuciosa do pincel, explica que “para fazer um thangka é preciso seguir vários procedimentos”. “Após o desenho, vem a coloração. O último passo na feitura de um thangka são as caras [de deuses e figuras históricas]. São muito importantes, por causa dos órgãos vitais. Os olhos, nariz, boca, são sempre desenhados com muita perícia”, elucida o mestre.

Longas telas pejadas de detalhes, como as que estão em Macau, podem levar muito tempo a fazer e contam com várias mãos de trabalho. Niang Ben, 39 anos e desde os 12 a trabalhar com este tipo de arte, exemplifica: “Sete dos meus aprendizes demoraram um ano e meio a terminar esta pintura”, revela o mestre enquanto aponta um dos objectos terminado recentemente. “É preciso trabalhar muito, adquirir experiência, para poder aperfeiçoar a técnica.”

Depois, são as histórias budistas que “também tornam o thangka especial”, funcionando como pano de fundo mesmo para as pinturas feitas hoje.

A arte, no entanto, é milenar. Terá sido desenvolvida no Tibete durante o reinado do rei Songtsen Gampo, no século VIII, que convidou artistas do Nepal para pintar os murais do templo de Tsuglagkhang, um dos mais importante de Lhasa.



Cores que perduram

Uma pesquisa na Internet revela que, no thangka, cada divindade representada possui medidas geométricas exactas, baseadas por exemplo na astrologia, no corpo humano, e em diversos cálculos seculares. O trajecto das linhas, o tamanho das imagens, as cores, a posição do corpo e das mãos, ou os instrumentos exibidos e as oferendas: tudo tem um valor simbólico.

A presidente da Associação Comercial Internacional da ASEAN de Macau, Amber Li, explica a sua afeição ao thangka. “Tive a oportunidade de visitar Qinghai há dois anos e foi lá que, pela primeira vez, comprei um thangka. Fi-lo mais por caridade, para ajudar a sustentar esta forma de arte. Aos poucos, fui aprendendo mais sobre thangka e a apreciar cada peça. Foi por isso que decidimos trazer esta exposição até cá”.

As peças expostas no IPM variam de valor entre dez mil e mais de três milhões de patacas. “As pessoas que estudam esta arte conseguem perceber a diferença, para o visitante comum é mais difícil”, garante.

O valor de um thangka depende da qualidade dos materiais e da produção. Li diz que “os materiais utilizados para colorir estes desenhos são todos naturais. Por exemplo, os dourados e os alaranjados são feitos com ouro verdadeiro, com pureza que vai dos 86 por cento aos 98 por cento. É praticamente ouro puro. Também são usados extractos de plantas, flores, e peças semi-preciosas”. Mas a antiguidade também conta e, na exposição, há exemplares recentes e alguns que datam da dinastia Ming (1386-1644). A durabilidade das pinturas é “impressionante”, considera Amber Li. “Há pinturas destas em templos e ficam lá por trezentos ou quatrocentos anos, sem estarem protegidas por vidros ou o que seja, e as cores perduram”.



Apaixonada por esta forma de arte religiosa, Li revela que tem uma meia dúzia de pinturas em sua casa. “Já comprei mais de dez, mas ofereço algumas a amigos”, completa. Para a organizadora da exposição, é a minúcia que faz a diferença: “Se nos aproximarmos, conseguimos perceber o detalhe de cada pintura, as pequenas marcas, o design das vestes de cada figura. É isto que torna a arte thangka especial”.

Foi por tratar-se de “uma forma de arte única” que Amber Li quis trazê-la a Macau. “Não é muito conhecida, poucas pessoas sabem alguma coisa sobre o thangka. Esse foi o esforço que tentámos fazer: permitir que as pessoas da RAEM conheçam uma forma de arte relacionada com o budismo tibetano e que faz parte do património cultural imaterial chinês.

Sobre o espaço, um tanto exíguo e pouco habitual para uma mostra deste género, a responsável justifica que gere “uma organização sem fins lucrativos”. “Não temos muitos fundos para alugar um espaço agradável e caro. O IPM, através do Governo, apoia as trocas interculturais e cedeu-nos esta galeria gratuitamente. É pena, mas é o possível.” Amber Li gostava ainda de ter “pessoas qualificadas para poderem explicar as especificidades do thangka aos visitantes”, que de outro modo não conseguirão aperceber-se.


Fonte : pontofinalmacau




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