Buddhachannel

Dans la même rubrique

29 juin 2016

Le Sûtra du Diamant

29 de junio de 2016, por Buddhachannel España

El Sutra del Diamante










Instagram





Rubricas

Shantideva - Bodhisattvacharyavatara IX : A Sabedoria Transcendente (Versos 67 - 100)

terça-feira 20 de Julho de 2010, por Buddhachannel Portugal

Langues :

Todas as versões deste artigo : [Deutsch] [Português]

Shantideva - Das Bodhicaryavatara




Capítulo IX : A Sabedoria Transcendente

[67] Além do mais o animado [o princípio consciente ou Purusha] e o inanimado [a matéria primitiva ou Prakriti] seriam um, uma vez que têm em comum o existir. Se os diferentes aspectos da consciência são declarados irreais, que suporte real poderiam eles ter em comum?

[68-69] Madhyamika: O "eu", o Atman, não pode ser inanimado, pois o inanimado é sem mente, como um vaso.
Naiyayika: Ele torna-se consciente como resultado da sua união com a mente.
Madhyamika: O seu caráter não-consciente é então destruído. Se o "eu" é imutável, que efeito pode ter a consciência sobre ele? Ao espaço inconsciente e inerte também se poderia então atribuir a qualidade de "eu"!

[70] Mas, poder-se-ia dizer, a relação entre o ato e o fruto é impossível sem o "eu". Se o autor do ato desaparece depois de o ter realizado, a quem cabe o fruto?

[71] Estamos de acordo que o ato e o fruto têm um suporte diferente. Por outro lado, vocês pretendem que o "eu" é inativa: portanto a discussão é supérflua.

[72] É impossível ver um fruto cuja causa esteja ainda presente. Se se diz que o autor do ato é quem recolhe o fruto, é considerando a sucessão contínua dos fenômenos.

[73] Nem o pensamento passado nem o pensamento futuro podem ser o "eu", uma vez que não existem. Será o pensamento presente o "eu"? Mas então, este pensamento desaparecendo, não há mais "eu".

[74] Depois de dissociar as fibras do caule de uma bananeira-de-terra, não fica nada. Da mesma maneira, o "eu", submetido a uma análise exaustiva, é reconhecido como puro nada.

[75] Pergunta: Se o indivíduo não existe, quem é o objeto da compaixão?
Madhyamika: Aceitamos este conceito, resultante da ignorância, com vista ao fim a atingir.

[76-77] Pergunta: O fim de quem, uma vez que os seres não existem?
Madhyamika: É verdade que o esforço procede da ilusão; mas como ela tem por objetivo apaziguar a dor, a ilusão do fim não é proibida. O sentimento do "eu" é causa de dor e cresce com a ilusão do "eu". Não pensem que é impossível aboli-lo; é algo que se consegue perfeitamente, meditando sobre a não-existência do "eu".

[78-79] O corpo não é os pés, as pernas, as coxas, as ancas, o ventre, as costas, o peito, os braços, as mãos, as costelas, as axilas, os ombros, o pescoço, a cabeça. O que é então o corpo?

[80] Se o corpo se encontra parcialmente em todos os seus constituintes, são partes que se encontram em partes, mas o corpo em si, onde está?

[81] E se se encontra inteiro em cada um dos constituintes, haverá tantos corpos quantos os constituintes.

[82] O corpo não está nem no interior, nem no exterior. Como poderá estar nas suas partes constituintes? Fora delas tão pouco poderia estar. Então, como existe?

[83] Portanto, não há corpo. Mas, no seguimento de uma ilusão, a idéia de corpo é atribuída aos constituintes, como a de um homem a um espantalho.

[84] Enquanto duram certas condições, o corpo é considerado como um indivíduo. Do mesmo modo, enquanto os constituintes permanecem reunidos, vemos um corpo.

[85] Da mesma maneira, não há mão, mas uma reunião de dedos. O dedo é apenas um grupo de falanges e cada falange é formada por partes.

[86] As partes, por sua vez, são compostas por átomos, os átomos dividem-se em seções correspondentes aos pontos cardeais. Cada seção não pode ser dividida indefinidamente, pois chegamos ao espaço vazio. Portanto, não há átomos.

[87] Assim, a forma é semelhante a um sonho! Que homem sábio se quereria apegar a ela? E visto que o corpo não existe, o que será um homem ou uma mulher?

[88] Se a dor tem uma existência real [logo, permanente], por que razão não afeta os que estão satisfeitos? Se é a felicidade que existe realmente, por que razão o prazer de um alimento saboroso deixa insensível aquele que está tomado de tristeza?

[89] Pode-se dizer que o prazer ou a dor não são sentidos porque são eclipsados por uma sensação mais forte, mas como chamar de sensação o que tem por caráter não ser sentido?

[90] Alega-se que a dor permanece num estado sutil e que apenas o seu estado desenvolvido foi trocado por uma sensação mais forte? Que esta dor sutil aparece como uma sensação fraca de felicidade?

[91] Se a dor não se manifesta na presença do seu contrário, não resulta daí que chamar-lhe "sensação" não passa de uma afirmação gratuita?

[92] É por isso que o antídoto a esta confusão é a meditação analítica. A contemplação nascida do campo de análise é o maná do praticante.

[93] Se o órgão dos sentidos e o seu objeto estão separados por um intervalo, como poderiam entrar em contato? E se nenhum intervalo os separa, formam uma unidade; quem está em contato com quem?

[94] Um átomo [de um órgão dos sentidos] não pode penetrar num átomo [de um objeto], pois os átomos não oferecem espaço algum à penetração e são iguais [infinitamente pequenos]. Sem se penetrarem, não se podem confundir e, se não se podem confundir, não se podem encontrar [pois são sem dimensão].

[95] Como se operaria o contato do que é sem partes? Se houver exemplos de contatos com o que é sem dimensão, mostrem-no!

[96] A consciência, sendo sem forma, não pode entrar em contato. O conjunto formado pela consciência, pelo órgão e pelo objeto, como o demonstramos, não tem realidade.

[97] Na ausência de contato, como pode a sensação ser possível? Então por que nos havemos de cansar? De onde poderia vir o sofrimento e a quem pode ele atingir?

[98] Uma vez que não há nem sujeito sentindo, nem sensação, perante esta situação, oh desejo, porque não te dissipas?

[99] Vemos e tocamos, mas isso é semelhante a uma ilusão, a um sonho. Como poderia o pensamento perceber a sensação, se ambos são simultâneos?

[100] Se um [o pensamento] seguisse o outro [a sensação], tratava-se de um ato de memória, não de uma experiência direta. Portanto, a sensação não se pode nem perceber a si mesma nem ser percebida por outra coisa que não ela.


Fonte : http://www.dharmanet.com.br

Fórum requer assinatura

Para participar nesse fórum, deve estar previamente registado. Por favor indique a seguir o identificador pessoal que lhe foi fornecido. Se não está registado, deve inscrever-se.

Ligaçãoinscrever-sepalavra - passe esquecida ?