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O Jardim do Oriente do comendador Joe Berardo no Bombarral

sábado 1 de Maio de 2010, por Eduardo

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O Jardim do Oriente do comendador Joe Berardo no Bombarral

Um impressionante jardim oriental com pagodes chineses e enormes estátuas de Buda está a nascer na Quinta dos Loridos, no Bombarral. O seu mentor, o milionário português Joe Berardo, quer fazer daquele local um espaço de meditação e de paz e “um contributo para um mundo melhor”.

O projecto ocupa uma área de 35 hectares, tem um lago artificial e levará 6 mil toneladas de estátuas, mas a obra não se encontra licenciada. O presidente da Câmara do Bombarral e o comendador estão de acordo em que não é necessária licença camarária por se tratar de um jardim feito numa zona não urbana.
Ao longe, emergindo das copas das árvores, avistam-se pagodes chineses.
O Jardim do Oriente fica no meio dos vinhedos do Bombarral, em local discreto, nas imediações na Quinta dos Loridos. Um leão de pedra guarda a sua entrada, numa rampa que dá acesso a um moinho oestino recuperado e a um fontanário de pedra branca, importado da China, tal como todas as estátuas.
O Oriente começa uns metros mais abaixo, num passeio que pode ter início junto a um lago artificial ladeado de árvores e de estátuas, onde pontificam as do Buda, grandes e quase omnipresentes por se avistarem de vários ângulos.
As obras ainda estão quase no início e até Dezembro, quando estiverem concluídas, o número de estátuas será quatro vezes maior do que o actual.
Na região, a Quinta dos Loridos já é local de peregrinação desde que passou a palavra que ali estão a construir um tão estranho jardim. Aos fins-de-semana vão famílias em romaria visitar as obras e tirar fotografias às estátuas.
Mas o que é, afinal, aquilo tudo?
Joe Berardo, o conhecido comendador e filantropo, coleccionador de arte, dá, ele próprio, a explicação: “é um local onde as pessoas podem ir para meditar e reflectir sobre si próprias sem qualquer responsabilidade religiosa”.

Em declarações à Gazeta das Caldas, diz que teve a idéia de construir este jardim quando soube, indignado, da destruição das estátuas do Buda pelos talibans no Afeganistão. “É uma homenagem aos budas que foram bombardeados e será o maior jardim do Oriente da Europa”, disse.
Joe Berardo diz que tanto os cristãos como os muçulmanos têm sido religiões expansionistas, como o provam a invasão árabe da Europa e depois as reconquista cristã. Já o budismo é um religião mais pacífica e é por isso que entende que tem ali um “espaço de paz” onde “tanto uns como outros [cristão e muçulmanos]” podem passear e meditar. “É um contributo para um mundo melhor”, conclui.

Dentro desta perspectiva, Berardo diz que “vamos tentar dar uma roupa igual a todas os visitantes para estarem todos vestidos de igual e terem uma melhor compreensão deste mundo”.
Com 35 hectares, o Jardim do Oriente vai contar com 6 mil toneladas de estátuas, a maioria importada da China. Curiosamente, algumas delas foram feitas em granito português que, tendo sido exportado para aquele país em bruto, regressa a Portugal transformado em escultura. Algumas terão mesmo mais de 20 metros de altura.
Joe Berardo diz que ainda não sabe como será o funcionamento do jardim, nomeadamente no que diz respeito ao pagamento ou não de entradas. Para já, e apesar de uma placa à entrada avisar que se trata de propriedade privada, nunca ninguém foi impedido de entrar e fotografar aquele espaço invulgar, até mesmo quando estão a decorrer as obras.

“Uma evocação do Oriente feita por ocidentais”

José Cornélio, o arquitecto deste projecto e amigo do comendador, diz que este é um homem que gosta de partilhar a arte com as outras pessoas, pelo que o jardim da Quinta dos Loridos não será, seguramente, um espaço fechado e restrito só para alguns.
Este técnico diz que a área do projecto terá vários níveis de estatuária, desde as maiores, que serão “as grandes referências”, até ao nível mais pequeno, com esculturas de meio metro espalhadas por entre os caminhos que se situam no meio das flores e das árvores.
O arquitecto diz que o jardim não será um santuário budista, mas sim “uma evocação do Oriente feita por ocidentais” e que representará também “a presença portuguesa no Oriente e a interpenetração de culturas”. As estátuas representarão várias épocas da vida de Buda, a quem José Cornélio equipara a S. Francisco pois ambos nasceram ricos e se despojaram da riqueza em vida numa atitude humilde de conquista de paz interior.
Os trabalhos nos Loridos vão prolongar-se até Dezembro divididos por três fases: instalação das peças, tratamento da zona envolvente às estátuas e o plantio do coberto vegetal.
O projecto inclui ainda um anfiteatro onde se poderão realizar concertos.
O arquitecto, que estudou em Itália e leccionou em universidades daquele país e dos Estados Unidos, diz que “é um prazer trabalhar com uma pessoa com as qualidades do comendador”, a quem tece os maiores elogios, comparando-o a Calouste Gulbenkian pois “deixa atrás de si um rasto de cultura”, de que é exemplo este jardim no concelho do Bombarral que “será um legado ímpar para Portugal”.

fonte: http://www.gazetacaldas.com/Desenvol.asp?NID=15287


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