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Lisboa - Exposição Deuses da Ásia

quinta-feira 29 de Abril de 2010

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“Sobre os deuses, nada posso afirmar, nem que existem nem que não existem: muitas coisas o impedem de saber, a começar pelo lado obscuro que envolve a pergunta, e a seguir pela brevidade da vida humana”
Protágoras (século V a.C.)

“Deuses da Ásia” (e não “Os deuses da Ásia”, o que seria uma pretensão ridícula) é um título que corre o risco de gerar grandes equívocos. Somos vítimas da inadequação das palavras de uma língua para a outra, e mais particularmente quando se trata da palavra deus. Os termos monoteísta e politeísta são noções ocidentais muito mal adaptadas quando se trata do hinduísmo ou do taoísmo. Os primeiros missionários ocidentais que chegaram à Ásia falavam dos idólatras sempre que viam em templos estas estátuas que lhes pareciam estranhas. No entanto, mal começamos a informar sobre as grandes religiões asiáticas, são, antes de tudo, as semelhanças com as grandes religiões ocidentais que espantam quem tente abstrair-se dos preconceitos correntes. A ideia do Deus único, que alguns consideram ser a grande contribuição da religião judaica, já vigorava na Ásia. O Brahman do hinduísmo, o Tao dos chineses são o Único, a Origem de tudo, e tudo neles existe. Seria ridículo para os hindus e taoistas verem representados o Brahman ou o Tao sob os traços de um ancião de barba branca, não tanto pelo facto que isto possa ser um sacrilégio, como o pensam os islamitas, mas porque tanto um como o outro escapam ao entendimento humano e situam-se para além de qualquer forma. A ideia de que “Deus fez o homem à sua imagem” transforma-se rapidamente em “o homem fez Deus à sua imagem”.
Mas quando se trata de religiões asiáticas, fala-se de deuses quando no Ocidente utilizar-se-ia um outro termo. Os deuses hinduístas são, de facto, manifestações diversas do Brahman actuando no mundo e como tais podem ser representados. Os deuses chineses são mais aparentados aos santos do cristianismo. Cada um deles tem uma função, como Santo Elói é o patrono dos ourives ou Santa Genoveva é a padroeira de Paris, que neste caso, para os chineses, seria conhecida como deusa do Solo de Paris.

Algumas das semelhanças que existem entre todas as religiões são surpreendentes. A ideia da trindade é central no hinduísmo. Visto que tudo o que nasce tem que morrer, o Brahman manifesta-se enquanto criador, conservador e destruidor, o que se traduz pelas suas três manifestações, Brahma, Vishnu e Shiva. Vishnu incarna-se como Deus se incarnou em Jesus Cristo. Os chineses são mais abstractos nesta matéria, já que para eles é do Três que nascem todos os seres.
Cada fundador de religião é inseparável do meio em que apareceu. Tal como o Novo Testamento não é compreensível se a sua mensagem não for situada no contexto do Antigo Testamento, a mensagem do Buda Shakyamuni foi anunciada numa sociedade hinduísta e não põe em causa a crença nas reincarnações e no karma. A religião taoista torna-se incompreensível se for omitida a filosofia taoista que a precedeu e as crenças da antiguidade chinesa.

Um outro ponto comum é que a mensagem original é vítima do que fizeram dela os discípulos ou sobretudo depois, os fiéis, já que os fundadores nunca escreveram uma linha. Nem Jesus Cristo, nem Shakyamuni, nem Zhang Daoling deixaram algum escrito. Foi somente por testemunhos que se pôde conhecer o seu pensamento, o que não deixa de ser assustador quando nos lembramos do que estes valem. Tal como Jesus Cristo não concordaria com o que as Igrejas, ao longo dos séculos, fizeram com a sua mensagem, Shakyamuni não reconheceria o seu pensamento nas elaborações dos que quiseram divulgar o seu contributo. Muitos fundadores de religiões quiseram fornecer apenas uma resposta a uma pergunta precisa. Tal como Jesus Cristo quis introduzir a misericórdia. Shakyamuni quis encontrar uma via para escapar aos sofrimentos da existência. Tal como Jesus Cristo não pôs em causa o Deus da Bíblia, Shakyamuni não se pronunciou sobre o Brahman ou o nirvana, de tal maneira que chegou a dizer-se que o budismo era uma religião sem deus.

Apesar do que se escreveu, o judaísmo, o cristianismo e o Islão não são as únicas religiões do livro. O budismo, o jainismo e o taoísmo têm como base textos que nada devem aos da Bíblia ou do Corão. Quanto às mirabilia que espalham todas as crenças de cada lado dos Urais, é preciso reconhecer que os pensadores asiáticos souberam distinguir entre uma leitura dos textos ao primeiro grau, que suscita a admiração das multidões, e a sua interpretação a um nível filosófico ou teológico, para que seja entendido o sentido profundo.

Donde vêm as semelhanças entre todas as grandes religiões? Da natureza própria do espírito humano? De uma história comum da humanidade que remonta à origem dos tempos? As influências factuais parecem ser, no entanto, limitadas, mesmo que se lembre que a auréola dos nossos santos provém da aura de luz que se põe à volta dos Budas na Ásia e que a ideia do Inferno, com os seus caldeirões fumegantes e os seus fogos devoradores são originários também do Oriente (com a diferença que no Oriente o Inferno não é eterno).

Pode-se dizer, como o escreveu um pensador indiano, que todos os homens veneram o mesmo deus sob nomes diferentes? Não. Se o conceito de um deus único existe nas religiões asiáticas e já que todas as religiões do mundo conheceram reveses por vezes pouco brilhantes e contrárias ao seu pensamento original, e que algumas particularidades se encontram em todas, seria falacioso não ver as diferenças próprias de cada uma. O taoísmo fornece uma explicação do mundo, mas cada um é livre de poder aceitá-la ou não e não desenvolve nenhum tipo de proselitismo. O budismo procura apagar o sofrimento, esperando que todos os homens possam usufruir da sua mensagem, mas sem a impor, e quis-se tolerante no que toca às crenças locais antigas, visto que admite a existência de espíritos no meio dos seres. No que toca às diferenças teológicas, estas poderiam dar lugar a debates intermináveis.

Mas não é esta a intenção da exposição. Nem tão pouco apresentar deuses da Índia, da Indonésia, de Mianmar, da Tailândia, da China, do Vietname, da Coreia e do Japão com a preocupação de limitar as crenças dos outros ao conteúdo de imagens pitorescas ou belas, mas sim de mostrar que elas merecem o mesmo respeito que nós prestamos às nossas.

A exposição procura, isso sim, tornar conhecidos certos aspectos da arte religiosa na Ásia, sobretudo ao nível popular, e introduzir a mitologia ainda viva que está subjacente aos objectos apresentados. Daí estarem representadas as grandes religiões do continente, o hinduísmo, o budismo, o taoísmo, o shintô. Uma vez que a palavra ocidental “deus”, corresponde mais a conceitos asiáticos abstractos como Brama, na Índia, e Tao, na China, os seres sobrenaturais representados são muito mais manifestações do divino no mundo humano.

fonte: http://www.museudooriente.pt/218/deuses-da-aacute;sia.htm

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