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Os eternos templos xintoístas de Ise Jingu

terça-feira 22 de Março de 2016

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Conheça a cerimônia de reconstrução dos mais famosos templos de madeira do xintoísmo
por Gilberto Yoshinaga

Se os templos japoneses são feitos de madeira, como é que podem durar centenas e até milhares de anos? A resposta não é complicada: eles são destruídos e levantados novamente de tempos em tempos.

Não tão simples é a reconstrução que, em muitos casos, envolve a população local em curiosas tradições. Um exemplo é o festival Okihiki, que celebra a renovação dos principais templos que compõem o Ise Jingu, considerado o mais importante santuário do xintoísmo.

A cada 20 anos, os principais templos do Ise Jingu são demolidos e erguidos exatamente com o mesmo formato de quase dois milênios atrás.

Composto por 125 templos de diversos tamanhos, cada qual com uma finalidade específica, o complexo localiza-se na região de Ise, o principal recanto turístico da província de Mie.

O santuário é dividido em duas partes. O Kotaijingu, ou Naiku, que possui em torno de 2 mil anos, é considerado a morada de Amaterasu, a deusa do sol, de quem, acredita-se, descende a Família Imperial. A outra parte é a Toyoukedaijingu, ou Geku, com cerca de 1,5 mil anos, e é dedicada a Toyouke, deus das fazendas e colheitas.

O que também chama atenção é que tudo se movimenta ao redor da tradição. Várias construções possuem um estilo peculiar de arquitetura, com traços semelhantes aos dos templos e uso excessivo de madeira, o que pode ser notado no centro comercial e turístico.

Os xintoístas acreditam que a reconstrução cíclica, celebrada em uma cerimônia sagrada denominada Shikinen Sengu, promove uma renovação da bênção dos deuses em prol da paz no mundo. A tradição se repete desde o século 8.

Cabo de guerra



Nos anos que antecedem a reconstrução dos templos, Ise tem os olhos voltados para o Okihiki Matsuri. A principal atração do festival é o transporte manual de alguns troncos por dentro do rio Isuzu. Aliás, “Okihiki” significa algo como “puxar a árvore”. Para cada embarcação, são colocados três troncos e amarradas duas extensas cordas a serem puxadas pelos participantes do Okihiki. É uma espécie de “cabo de guerra”.

Chegada dos troncos



A cena acima mostra uma das fases mais complexas do Okihiki: a superação das corredeiras nos metros finais do percurso, e a chegada dos troncos ao santuário. Nesse momento, os espectadores e participantes ovacionam o sucesso do transporte da madeira. Na verdade, o que se aplaude é o momento de união e a realização de uma obra coletiva.

Descontração na água

Dentro do rio, todos têm igual importância, sem distinção de sexo, idade, classe social ou etnia. Durante o trajeto, também há momentos de descontração, em que os participantes se divertem jogando água uns nos outros.

Tradição desde a infância



Como o rio é raso, até os pequeninos e os idosos participam da celebração, que chega a reunir mais de 3 mil pessoas. Durante o trajeto, os participantes seguem embalados por gritos de incentivo (“en-ya!”) e tradicionais canções xintoístas, puxadas pelos moradores da cidade. A tradição é transmitida desde cedo.

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O repórter da Made in Japan participou do Okihiki Matsuri e relata sua experiência
Participar do Okihiki Matsuri foi uma experiência marcante. Primeiro, porque fiz parte de uma tradição que simboliza conceitos que muito admiro na sociedade nipônica, como a determinação, o senso de coletividade, a própria preservação da cultura. Segundo, pois foi uma maneira de eu conhecer algumas importantes passagens da história do Japão, reduzindo o distanciamento do tempo, desde que meus avós imigraram para o Brasil.



madeinjapan.uol.com.br

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